O retorno de quem não queria ir 23 Novembro, 2009
Posted by Jornalisticamente Incorreta in Viagens.trackback
É quase dezembro. Aqui estou eu. Não fui dessa para a melhor, não virei hippie, não casei com marido odioso das novas tecnologias. Simplesmente sumi. Acho que é um deslize perdoável, especialmente se considerarmos que “escrever mais no blog” é uma das minhas poucas resoluções de ano novo não cumpridas. Estou satisfeita com 2009. Foi um ano sobretudo de amadurecimento. Está sendo, aliás. Não vamos enterrá-lo antes da hora. Acho que finalmente cresci. Cresci onde é preciso crescer, o que é melhor, pois em certos recantos da alma faço questão de ser criança pra sempre. Tenho minha própria Terra do Nunca e poder visitá-la toda vez que preciso me faz mais forte para aguentar os trancos do dia-a-dia.
Tenho estado bastante sozinha e, apesar de às vezes triste e silencioso demais, isso tem seu lado bom. Estar sozinhos é nossa melhor oportunidade de dialogarmos conosco mesmos. E eu dialogo. E como! Quando não passo horas dialogando com o espelho, passo a me observar. Saudável o tal exercício de auto-análise. Às vezes dá medo, decepção, insegurança, dúvida. E é exatamente isso o que acontece quando observamos quem quer que seja. O estranho de observar a si mesmo é que você acaba percebendo o quão sujeito a falhas você é e acaba vendo de perto que não está muito longe daquela pessoa que parece tão de outro mundo e tão irritante. Acho que todos temos um pouco de espelho uns dos outros e a tarefa de inverter as posições e ver que a imagem refletida pro outro é a mesma que pra gente causa no mínimo estranhamento. Confuso? Sim. Pra mim também é. Por isso, é um exercício. E precisa ser repetido vezes e vezes até que… entendamos que não vamos entender nunca. Pelo menos não completamente. Conhecer-se é tarefa sem fim, exige reciclagem, recolocações, novos olhares. Somos uma metamorfose ambulante. E é isso que nos faz fascinantes.
Tenho sede de aprender. De conhecer os outros, de me conhecer. Escrever me ajuda nisso. Preciso fazer isso mais vezes. Estranho que escrever seja o que faço todos os dias. É o meu ganha pão. Quando digo escrever mais, digo escrever com a alma, com o coração palpitando (em todos os sentidos), sem regras e estilismos, sem dead line.
Melhor eu ir agora. Não escrevi tudo o que lateja no meu coração e no meu pensamento, mas acho que já é bom para um recomeço.
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