Lições que a vida nos dá 25 Janeiro, 2009
Posted by Jornalisticamente Incorreta in Viagens.trackback
Ok, eu sei. Estou descumprindo uma das metas de ano novo: escrever mais no blog. Justifico: é que eu andava ocupada cumprindo algumas das outras. Andei tratando de esquecer alguém que me fazia muito mal. E isso dói. É um processo lento e difícil, cheio de altos, baixos e riscos de recaídas. Andei cuidando da minha família e dos meus amigos. Andei marcando uma viagem – nada demais, só um pulinho ali em Natal
Andei saindo um pouco também. E, principalmente, andei pensando, pensando bastante, filosofando. Nossa, como isso é bom!
Hoje tenho uma história triste. Não era bem o que esperava contar aqui no blog, mas VIVER A VIDA com todos os seus V’s, sílabas e significados, também implica ter histórias tristes pra contar. Faz parte da nossa jornada. Hoje acordei com o choro da minha mãe, me chamando na cama. Pensei logo na minha vovó, no alto de seus 82 anos. Tendência do ser humano achar que os mais velhos nos deixarão primeiro. Esquecemos que a vida costuma pregar peças e, muitas vezes, nos provar que não sabemos de nada, não somos nada, e nada podemos diante da sua força, dos seus caminhos, das suas lições.
Não era minha vovó. A notícia era sobre Luísa, uma doce criança de três anos incompletos, neta de um casal de grandes amigos da família. Luísa tem câncer na cabeça e, depois de quase três anos de luta (sua vida inteira), em salas de operação, CTI’s, exames de sangue, quimioterapias, radioterapias, enfim… Depois de passar a maior parte de sua vida no “pital”, como ela diz, Luísa está em coma, com apenas 1% de chance de sobreviver.
Prefiro ser otimista. Não quero pensar nos 99% que estão do outro lado. Acredito neste 1%. E tenho certeza que, em seu soninho de anjo, Luísa também acredita. Ela é uma criança alegre, que sempre demonstrou o quanto quer viver. E agora ela me ensina o quanto sou pequena, o quanto o mundo é pequeno, o quanto de nada vale o dinheiro, o status, a beleza e tantas outras coisas tolas que o mundo insiste em cultivar, quando não temos a real riqueza que Deus nos deu: a saúde e a oportunidade de abraçar aqueles que amamos, de com eles trocar afeto, idéias, experiências, gargalhadas, solidariedade, amadurecimento. A família de Luísa tem recursos e fez tudo o que era humanamente possível para salvá-la. A questão é: nem tudo é humanamente possível. Dói muito, é difícil, mas a lição fica. Pra sempre.
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